quarta-feira, 7 de junho de 2017

Resenha: A febre do amanhecer - Péter Gárdos

Sinopse: Julho de 1945. Miklós é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklós, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklós e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.


Algumas vezes, quando termino a leitura de um livro, mesmo que ele tenha me conquistado de modo geral, gosto de pensar que poderia saber, também, sobre o que aconteceu depois do desfecho. A febre do amanhecer, de Péter Gárdos, publicado em 2017 pela Companhia das Letras, é um livro sobre o depois.

A guerra acabou. Miklós é um sobrevivente húngaro da guerra. Ele foi resgatado, após algum tempo num campo de concentração, e está gravemente doente. Lili Reich, também é uma sobrevivente. A jovem húngara foi resgatada no seu pior momento e assim como Miklós, também está doente. Ambos estão, cada um em um lugar diferente, em alojamentos de hospitais tentando se recuperar. Mas as chances de Miklós são inexistentes, dentro de poucos meses ele perderá a vida, por conta de um problema sério no pulmão. 

De cara com essa situação, Miklós quer aproveitar o pouco tempo que tem. Ele quer se casar. Então consegue enviar mais de uma centena de cartas a outras jovens que também estão se recuperando em alojamentos femininos, para iniciar uma conversa com alguma delas. Eis que algumas jovens respondem Miklós, entre elas está Lili Reich.


Miklós e Lili começam a se corresponder através das cartas, e um amor singelo e sincero nasce dali. Mas Miklós não tem muito tempo.

"Não havia cortina na janela: eu conseguia ver o interior de uma pequena casa de um trabalhador... Eu me sinto cansado. Vinte e cinco anos e tanta, tanta coisa ruim. Eu não tenho como me lembrar de uma bela vida familiar harmoniosa: não faz parte de minha história. Talvez seja por isso que eu procure por uma tão desesperadamente... Depois, fui embora depressa, não queria continuar olhando aquela cena..." (p. 92)

A febre do amanhecer é uma leitura rápida, mas um tanto dolorosa. Mesmo que a história de Miklós e Lili aconteça num contexto pós-guerra, ainda assim, há vestígios da dor que eles viveram em todos os detalhes.  

Estou sentindo uma certa dificuldade em escrever esta resenha, pois quero deixar bem claro que adorei cada pedacinho do livro. Me encantei com Lili e sua força, apesar de ter apenas dezoito anos. Adorei o bom humor de Miklós e a esperança que o norteia, mesmo estando tão doente. Os demais personagens se encaixaram perfeitamente na história e o autor conduziu o livro de uma forma que é quase impossível deixar para ler mais tarde. Péter Gárdos soube organizar muito bem a história de seus pais. Ah! Ainda não falei sobre isso, mas A febre do amanhecer é narrado pelo filho de Miklós e Lili, e foi baseado em fatos reais. Outro ponto: Miklós e Lili se conheceram através de cartas, mas o livro não é em maior parte composto por elas. Há trechos das cartas, mas a narração do filho do casal ocupa a maior parte da obra.

"Deus perdeu você - está certo. Quer dizer, não está certo, eu também estou em litígio com ele. Brigando, zangando. Eu também não o estou perdoando. Como pôde fazer isso conosco? Com você! Com elas!" (p. 188)

Tentando resumir as minhas impressões sobre o livro: estou encantada. Me emocionei, dei algumas risadas, refleti sobre algumas questões sociais de extrema importância e me apaixonei pelos protagonistas. Tenho um declínio por livros que abordam a guerra de alguma forma, então iniciei a leitura de A febre do amanhecer com certa expectativa, e elas foram supridas.

"- Qual é mesmo sua profissão, Miklós?
- Eu fui jornalista. E poeta.
- Ah, um engenheiro da alma. Bonito." (p.12)

Sou leiga nestes assuntos, mas o livro foi traduzido do húngaro por Edith Elek, e a meu ver, a tradução ficou muito bem feita. A edição também está muito bonita, a capa é chamativa e significativa, a fonte é confortável e está em tamanho agradável, e por fim, as páginas são amareladas, um fato que aprecio.

A febre do amanhecer é um livro sobre esperança. Todos nós devíamos ser esperançosos da forma como Miklós e Lili foram, mesmo quando tudo parecia estar perdido. A esperança pode ser a chave para a porta dos milagres.


Referência: GÁRDOS, Peter. A febre do amanhecer. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.


9 comentários:

  1. Oi, Thami!
    É difícil encontrar livros que se passam depois da Segunda Guerra Mundial.
    Gostei muito da premissa desse e deu pra perceber na sua resenha que ele mexeu bastante com você.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Dois Anos de Família Hallinson
    Sorteio Três Anos do blog A Colecionadora de Histórias

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    1. Oi, Lu!
      Sim, é a primeira vez que eu leio um livro no "depois". E sim, o livro é muito bom e mexeu bastante comigo.
      Beijocas

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  2. Gente, tô vendo que me afogarei em lágrimas lendo esse livro! Resenha maravilhosa, deu muita vontade de o ler 😍. Beijinhos sua linda 😘

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    1. Que bom que gostou, Ana!
      É um livro emocionante mesmo. ♥

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  3. Aiii, é bem o estilo de leitura que eu gosto. Acho que tantas coisas sobraram da guerra e foram tão dolorosas e mesmo assim não são destacadas para as pessoas, e ainda bem que são transformados em livros como este. Eu amo ler coisas assim porque a gente aprende a dar mais valor.

    Beijos,

    Greice Negrini

    Blogando Livros
    www.blogandolivros.com

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    1. Que bom saber disso, Greice. Acho que você iria adorar este livro.
      Beijocas

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  4. Tamiris que livro lindo, apesar do drama dos personagens; como vc mesma destacou a mensagem de esperança deve superar qualquer dor. Gostei demais da indicação e vou correndo anotar oara não esquecer nesse mar de títulos que vemos todos os dias.
    Lembrei do livro 'Querida Sue' da Jessica Brockmole que li tempos atrás, bem interssante também. Nesse cenário entre guerras etc. fica a dica. Beijos

    Leituras, vida e paixões!!

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    1. Exatamente, Aline. A esperança é muito exaltada no livro.
      Obrigada pela dica, vou procurar.
      Beijos

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  5. Olá, não conhecia a obra...achei sua resenha ótima e o enredo muito bom, fiquei curiosa para ler também!

    Abraços

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